segunda-feira, 9 de maio de 2011

Esperando pelo Adeus- Final

Esperando pelo Adeus
No meio de uma tarde, depois de eu ter comido, Ela me chamou com a minha coleira na mão. Nós fomos de carro até o nosso local secreto, o qual parecia não ter mudado nada, mesmo que já tivessem se passado alguns anos desde a última vez que eu estive lá. Eu estava pulando de alegria e Ela amarrou parte da guia em uma árvore magra, depois Ela disse para eu ficar. Eu percebi que Ela tinha esquecido a velha bolinha de tênis que Ela ia voltar para pegá-la, então eu me sentei e vi Ela se afastar. Eu fiquei esperando. Os pássaros haviam parado de cantar e o céu estava escurecendo, mas eu só pensava em obedece-lá.
O tempo foi passando, ficando cada vez mais frio e os dias se tornaram mais curtos. Eu sentia fome e minha coleira apertava tanto o meu pescoço a ponto de me causar dor. Eu estava esperando. Estava só esperando ela voltar, sem nenhum som a minha volta, no silencio total. Alguns flocos de neve começaram a cair, formado uma linda paisagem.
Estava frio. Eu estava cansada. Eu dormi. Quando eu acordei, eu não sentia mais fome, nem frio, nem dor e nem a coleira apertando o meu pescoço. Eu não sentia a neve sob minhas patas. Eu não sentia os flocos de neve que caiam e nem o vento que soprava. Eu não sentia mais nada. Eu só esperei e esperei Ela voltar. As estações passaram, mas eu não senti.
Está começando a nevar de novo e eu continuo aqui, no lugar onde Ela me deixou. Continuo esperando. Continuo esperando Ela voltar e tocar meu pelo, mesmo que eu não sinta. Continuo esperando para dizer adeus.


Foto: Karol`s corner

Esperando pelo Adeus- 3ª parte

Esperando pelo Adeus
Da primeira vez em que me aproximei do filhote, este estava nos braços dela, rindo e sorrindo. Ela estava sentada no sofá e eu subi nele lentamente, para ter certeza de que eu podia me aproximar. O filhote tinha ainda cheiro de leite e ao me ver, agarrou minha orelha, mas eu não lati nem fiz nada, pois não queria fazer mau àquela doce criatura, tão pequena e indefesa. Aquela foi a única vez em que eu e aquele filhote nos tocamos, pois da outra vez em que me aproximei dele, foi enquanto o pequeno chorava e eu tentei acalmá-lo, mas Ele estava por perto e ao me ver perto do filhote, me chutou e me trancou em outro quarto. Desde aquele dia eu nunca mais pude chegar perto de onde o filhote estava.
Os dias foram se passando e a vida seguiu. Eu já não era tão jovem como antes, eu não era mais um filhote de pelo macio, mas ainda tinha muita energia. Com o passar do tempo, eu acabava sendo menos alimentada, alguns dias até passava direto sem comida. Eu pensava que eles deviam estar com dificuldades para arranjar comida para mim. Nesses tempos, Ela olhava para mim com um rosto preocupado e pensativo, nunca me olhando nos olhos como antes fazia, mas nós todos estávamos bem e felizes.

Esperando pelo Adeus- 2ª parte

Esperando pelo Adeus
Os dias das flores e da volta dos pássaros chegaram. Ela estava diferente, muito nervosa e Ele não estava por perto. Eles passaram alguns dias assim, até o dia em que Ela demorou a manhã e a tarde todo para voltar. Quando Ela voltou, Ele a estava carregando, mas ninguém me viu. Só na manhã seguinte Ela me chamou e nós passamos um bom tempo juntas, como há semanas não fazíamos.
Durante muito tempo tudo parecia ter voltado ao normal, até um dia em que pessoas estranhas entraram na casa. Eles traziam coisas grandes e baldes com um cheiro muito forte, que irritava meu nariz. Eram muitos deles entrando de uma vez só, todos indo para o mesmo quarto e o bagunçando, então eu comecei a latir para fazê-los parar, mas Ele veio e me trancou em outro cômodo, mas eu não entendia o porquê de Ele deixar invasores entrarem e mexerem na casa. Levou muito tempo até Ela chegar e me tirar de lá, mas quando sai, o quarto estava muito diferente: estava com uma cor mais clara, uma gaiola branca com a parte de cima aberta e vários brinquedos por toda a parte.
Nos meses seguintes Ela começou a engordar. Seu cheiro e seu modo de agir também mudaram: Ela ficou mais carente e como Ele não podia ficar com Ela o dia todo, eu ficava e me sentia feliz, pois já fazia algum tempo que eu não ficava ao lado dela. Eu só me deitava com minha cabeça em suas pernas e Ela me acariciava. Eu gostava de lambê-la e alegrá-la, e confortá-la. O tempo foi passando e Ela ficou mais gorda, até que um dia, enquanto eu estava ao seu lado, Ela começou a se sentir mal e um líquido de cheiro estranho molhou o sofá em que nós estávamos sentadas. Naquele momento eu sabia que algo estava errado. Se passando alguns minutos, eu ouvi Ele chegar em casa e fui até ele latindo, tentando avisar que algo estava errado, mas Ele me empurrou para longe e depois levou Ela para fora de casa. Eu tentei ir junto, mas Ele fechou a porta e me deixou sozinha.
Eu fiquei dias sozinha, somente esperando Ela voltar e a cada som que eu ouvia, ficava esperançosa de que fosse Ela. Quando a porta finalmente se abriu, somente Ele entrou. Tudo que Ele fez foi botar um pouca de comida para mim e sair de novo antes mesmo de eu ter terminado de comer.
No dia em que Ela voltou, Ela trazia algo em seus braços e tinha uma expressão calma e feliz no rosto. Ela entrou no quarto que tempos antes tinha sido invadido por estranhos e colocou aquela coisa dentro da gaiola branca. Eu não pude me aproximar para ver, pois Ele havia quase me chutado quando tentei entrar no quarto, mas mesmo assim percebi pelo cheiro que aquilo era um filhote e, pela maneira pela qual Ela o tratava, o filhote era dela.

Esperando pelo Adeus- 1ª parte

* O personagem principal, para ficar claro, é uma cadelinha.
Esperando pelo Adeus
Estava nevando. Estava ensolarado, mas frio, exatamente como naquela tarde. Eu ainda me lembro de tudo, desde o começo.
Eu ainda era pequena, menor que meus irmãos, mas mesmo assim Ela me escolheu. Ela ficou olhando todos nós correndo e brincado e depois, chegou mais perto. Eu fui a primeira a me aproximar e lambi a mão dela. Ela estava sorrindo. Ela tocou minha cabeça e me levou para seu lar. Não era muito grande, mas bastava, desde que eu estivesse junto dela.
Durante muito tempo fomos só nós duas, brincado e acariciando uma a outra. Me lembro de um dia em que eu acordei e que Ela não estava lá. Eu comecei a chamá-la, mas Ela não vinha. Eu segui seu cheiro até a porta e fiquei esperando. Eu fiquei feliz quando Ela voltou e Ela estava com um cheiro diferente. Desde aquele dia, Ela saia cedo e eu ia até a porta esperá-la voltar, sem comer, beber ou dormir até ver que Ela estava lá.
Todas as semanas, nós duas íamos a um lugar que ficava longe dos prédios, no meio de um campo deserto, que só nós duas conhecíamos. Nós ficávamos horas e horas brincando lá e Ela sempre trazia uma bolinha de tênis que Ela lançava para longe e que eu trazia de volta para Ela. Eu me sentia viva e sentia que eu e Ela éramos um só e que nada nos separaria.
Quando os dias ficaram mais frios Ela começou a voltar mais tarde, trazendo sempre um mesmo odor. Um dia Ela voltou com outra pessoa, uma homem, o qual tinha um cheiro já familiar. Ele comeu conosco aquele dia e começou a vir com mais frequência, até que Ele ficou conosco.
Ele e Ela pareciam se gostar, ficavam juntos e riam juntos, às vezes chegando a me deixar de lado, mas isso não importava, pois Ela sempre arranjava um tempo para brincar comigo. Ele, por outro lado, nunca tentou se aproximar de mim, me ignorava e quando eu o lambia, Ele afastava as mãos, mas com o tempo eu aprendi a conviver com Ele: eu ficava do meu lado e Ele no dele.

Anunciamento

 Bah, já faz um mês inteiro que eu não posto! Mas eu tenho meus motivos e agora e realmente tenho algo para postar que vai entreter quem estiver lendo isto por um tempinho: um novo conto.
 Esse não será como o "Sobreviventes do Destino", não, eu já desisti dele. Esse já está totalmente terminado e é bem mais curto. Só uma coisa: é um conto triste e algo como uma campanha ante abandono de animais.
  Aproveitem.