Esperando pelo Adeus
No meio de uma tarde, depois de eu ter comido, Ela me chamou com a minha coleira na mão. Nós fomos de carro até o nosso local secreto, o qual parecia não ter mudado nada, mesmo que já tivessem se passado alguns anos desde a última vez que eu estive lá. Eu estava pulando de alegria e Ela amarrou parte da guia em uma árvore magra, depois Ela disse para eu ficar. Eu percebi que Ela tinha esquecido a velha bolinha de tênis que Ela ia voltar para pegá-la, então eu me sentei e vi Ela se afastar. Eu fiquei esperando. Os pássaros haviam parado de cantar e o céu estava escurecendo, mas eu só pensava em obedece-lá.
O tempo foi passando, ficando cada vez mais frio e os dias se tornaram mais curtos. Eu sentia fome e minha coleira apertava tanto o meu pescoço a ponto de me causar dor. Eu estava esperando. Estava só esperando ela voltar, sem nenhum som a minha volta, no silencio total. Alguns flocos de neve começaram a cair, formado uma linda paisagem.
Estava frio. Eu estava cansada. Eu dormi. Quando eu acordei, eu não sentia mais fome, nem frio, nem dor e nem a coleira apertando o meu pescoço. Eu não sentia a neve sob minhas patas. Eu não sentia os flocos de neve que caiam e nem o vento que soprava. Eu não sentia mais nada. Eu só esperei e esperei Ela voltar. As estações passaram, mas eu não senti.
Está começando a nevar de novo e eu continuo aqui, no lugar onde Ela me deixou. Continuo esperando. Continuo esperando Ela voltar e tocar meu pelo, mesmo que eu não sinta. Continuo esperando para dizer adeus.
Foto: Karol`s corner
