Esperando pelo Adeus
Os dias das flores e da volta dos pássaros chegaram. Ela estava diferente, muito nervosa e Ele não estava por perto. Eles passaram alguns dias assim, até o dia em que Ela demorou a manhã e a tarde todo para voltar. Quando Ela voltou, Ele a estava carregando, mas ninguém me viu. Só na manhã seguinte Ela me chamou e nós passamos um bom tempo juntas, como há semanas não fazíamos.
Durante muito tempo tudo parecia ter voltado ao normal, até um dia em que pessoas estranhas entraram na casa. Eles traziam coisas grandes e baldes com um cheiro muito forte, que irritava meu nariz. Eram muitos deles entrando de uma vez só, todos indo para o mesmo quarto e o bagunçando, então eu comecei a latir para fazê-los parar, mas Ele veio e me trancou em outro cômodo, mas eu não entendia o porquê de Ele deixar invasores entrarem e mexerem na casa. Levou muito tempo até Ela chegar e me tirar de lá, mas quando sai, o quarto estava muito diferente: estava com uma cor mais clara, uma gaiola branca com a parte de cima aberta e vários brinquedos por toda a parte.
Nos meses seguintes Ela começou a engordar. Seu cheiro e seu modo de agir também mudaram: Ela ficou mais carente e como Ele não podia ficar com Ela o dia todo, eu ficava e me sentia feliz, pois já fazia algum tempo que eu não ficava ao lado dela. Eu só me deitava com minha cabeça em suas pernas e Ela me acariciava. Eu gostava de lambê-la e alegrá-la, e confortá-la. O tempo foi passando e Ela ficou mais gorda, até que um dia, enquanto eu estava ao seu lado, Ela começou a se sentir mal e um líquido de cheiro estranho molhou o sofá em que nós estávamos sentadas. Naquele momento eu sabia que algo estava errado. Se passando alguns minutos, eu ouvi Ele chegar em casa e fui até ele latindo, tentando avisar que algo estava errado, mas Ele me empurrou para longe e depois levou Ela para fora de casa. Eu tentei ir junto, mas Ele fechou a porta e me deixou sozinha.
Eu fiquei dias sozinha, somente esperando Ela voltar e a cada som que eu ouvia, ficava esperançosa de que fosse Ela. Quando a porta finalmente se abriu, somente Ele entrou. Tudo que Ele fez foi botar um pouca de comida para mim e sair de novo antes mesmo de eu ter terminado de comer.
No dia em que Ela voltou, Ela trazia algo em seus braços e tinha uma expressão calma e feliz no rosto. Ela entrou no quarto que tempos antes tinha sido invadido por estranhos e colocou aquela coisa dentro da gaiola branca. Eu não pude me aproximar para ver, pois Ele havia quase me chutado quando tentei entrar no quarto, mas mesmo assim percebi pelo cheiro que aquilo era um filhote e, pela maneira pela qual Ela o tratava, o filhote era dela.
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